quinta-feira, 6 de junho de 2013

"RETRATO'" - CECÍLIA MEIRELES


A atmosfera de dor existencial que emana dos poemas de Cecília Meireles é centrada na percepção de que tudo passa e de que o fluir do tempo dissolve as ilusões e os amores, o corpo e mesmo a memória. Um exemplo desta visão sofrida está no poema “retrato”. Quanto à forma poética, o texto, em parte, liga-se ao modernismo pela ausência de rimas, que confere uma fluidez mais coloquial à linguagem. No entanto, a estrofação regular (quatro versos) e a métrica, também regular (os versos maiores variam entre 8 e 9 sílabas, e os menores, com exceção do 4.º verso, têm 4 sílabas), indicam uma poesia vinculada ao tradicional ( resquícios da poesia simbolista). O poema explora a musicalidade através da aliteração do som nasal, sugerindo, neste caso, um lamento frente à situação presente.
Cecília Meireles, por ter seguido um caminho muito pessoal, não pode ser enquadrada em um movimento ou em uma estética determinados.  Seus versos, geralmente curtos, de conteúdo lírico tradicional e muito pessoal, têm raízes simbolistas e se caracterizam pela musicalidade, descritivismo e imagens sensoriais. Um dos pontos altos de sua obra é o romanceiro da inconfidência, que lhe custou pesquisas históricas e no qual, empregando o melhor de sua técnica, revela o seu amor à pátria, à liberdade, e a sua admiração pelos mártires da inconfidência mineira.

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