A atmosfera de dor
existencial que emana dos poemas de Cecília Meireles é centrada na percepção de
que tudo passa e de que o fluir do tempo dissolve as ilusões e os amores, o
corpo e mesmo a memória. Um exemplo desta visão sofrida está no poema
“retrato”. Quanto à forma poética, o texto, em parte, liga-se ao modernismo
pela ausência de rimas, que confere uma fluidez mais coloquial à linguagem. No
entanto, a estrofação regular (quatro versos) e a métrica, também regular (os
versos maiores variam entre 8 e 9 sílabas, e os menores, com exceção do 4.º
verso, têm 4 sílabas), indicam uma poesia vinculada ao tradicional ( resquícios
da poesia simbolista). O poema explora a musicalidade através da aliteração do
som nasal, sugerindo, neste caso, um lamento frente à situação presente.
Cecília Meireles, por ter
seguido um caminho muito pessoal, não pode ser enquadrada em um movimento ou em
uma estética determinados. Seus versos, geralmente curtos, de conteúdo lírico
tradicional e muito pessoal, têm raízes simbolistas e se caracterizam pela
musicalidade, descritivismo e imagens sensoriais. Um dos pontos altos de sua
obra é o romanceiro da inconfidência, que lhe custou pesquisas históricas e no
qual, empregando o melhor de sua técnica, revela o seu amor à pátria, à
liberdade, e a sua admiração pelos mártires da inconfidência mineira.
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